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26 de julho de 2010

Dúvidas, certezas e incertezas

Não me entendo
E nunca vou me entender
O que eu quero da vida?
O que eu quero de você?
Dúvidas, paradoxos, incertezas
Tudo isso e mais um pouco me ronda
Que sentido faz isso?
Isso faz sentido?
Não é nem o ser ou não ser
É o ter ou não te ter
Está aí a questão
Questão não de vestibular
(essas são fáceis)
Mas questões da vida
(complicadas essas)
Fico pensando agora
E também não penso
No que fazer
Deixar como está
Ou procurar te esquecer?
Tu tens que viver
Para mim tanto faz
Viver ou não viver
Essa não é a questão
Será que o tempo irá falar
Ou ele também irá esquecer?
Muito poder ao tempo
Mas nada podemos fazer
A não ser esperar, esperar, esperar.

Sexo na cabeça

Foi um dia desses. Eu estava “trabalhando” numa escola. Unidade Escola José Amável. A turma que fiquei é uma verdadeira bagunça. Na primeira vez que fui lá o professor não colocava ordem nem nada. Dessa vez foi diferente. Ele estava tentando colocar ordem na sala de aula. Ma o que chamou minha atenção não foi isso. O professor estava falando sobre “pedofilia” na Grécia antiga (pedofilia está em aspas por que o que eles praticavam não era pedofilia, mas levando para o contexto atual chamamos de pedofilia. Isso é mais não gerar um anacronismo.). Para que! Rapaz, nessa turma vem um silencio repentino. Os estudantes começaram a participar da aula. Foi só falar em sexo que os alunos se interessaram e opinam em sala de aula. Eles sabiam muito a respeito.

No entanto esse não é um assunto que chama a atenção dos meninos dessa escola. Isso chama a atenção de jovens, velhos e adultos. Chama atenção de qualquer pessoa. De qualquer sexo, raça, cor e credo. Entre os homens isso é mais corriqueiro. Falamos de sexo a todo o momento. Isso é normal. Falamos das meninas gostosas, de quem pegamos, de quem queremos pegar e por aí vai. (mas também têm os caras que não falam. Não estou falando dos padres não. São de outros caras).

E as meninas/mulheres? Aí eu não sei, pois eu não sou mulher. Mas eu tenho minhas opiniões a respeito do caso. As mulheres falam sobre sexo sim. No entanto elas são mais reservadas (nós, homens, não. Falamos para todos ouvirem). Elas conversam entre elas. Talvez quando vêm um cara que lês agradem, eles pensem: “esse cara deve ser fodão”. Sentem desejos. Tem umas que falam e não tão nem aí (e estão certas). Falam abertamente sobre sexo, entre homens e mulheres. Não escondem nada.

Todavia tem umas. Essas para mim são as “piores”. Não suportam ver uma pessoa falar sobre sexo, que já chama a pessoa de pervertido (a). Mas elas queriam está falando aquilo. Essas quando estão entre quatro paredes é um “deus me segure”. Para mim, só escondem seu desejo e fascinação pelo sexo só para não serem mal vistas pela sociedade, e em especial pelos homens (em parte estão certas, mas não vamos ser caretas demais, né?!).

Vamos fazer sexo (com ou sem compromisso). Fazer sexo é bom. Falar também. Segundo nosso ministro da saúde, o Temporão (olha o temporal), devemos fazer sexo cinco vezes por semana para o bem da nossa saúde (ele devia está empolgado, querendo convencer a mulher dele). Sexo é saúde. Saim daqui e vão fazer sexo. Ou não.

20 de julho de 2010

Camila

Ela
Se tornou meu veneno
transformando meu mundo
em algo mínimo mas não pequeno.

Estou precisando
de mais uma dose desse veneno
mas não sei como vou conseguir
acho que estou morrendo.

Lá vem ela
transformando a morte
em algo que não entendo.

Minha vida:
Camila Camila.

FORTE HERÓI UNDERGROUND

“Vou fazer a louvação, louvação, louvação / Do que deve ser louvado, ser louvado, ser louvado. / Meu povo, preste atenção, atenção, atenção. / Repare se estou errado.”. Vou fazer a louvação do camarada que compôs essa musica junto com Gilberto Gil. Sabe quem é? Adivinha aí. Dá um chute. Vai. Você aí? Adivinhou? Se não, lá vai. Louvando aquele que bem merece. Louvando (ou não!) Torquato Neto, nosso Anjo Torto.

Bicho... tenho umas inquietações em minha mente. Torquato Neto é o poeta mais falado e o menos conhecido. Principalmente no Piauí, sua terra natal. Nós aqui no Piauí queremos ter o copyright sobre Torquato e não sabemos nada sobre ele. Não damos valor a ele. O piauiense é o que menos conhece Torquato Neto. Temos aí por Teresina / Piauí várias homenagens para ele, todavia os caras não sabem quem ele é.

A homenagem mais “fantástica / conhecida” que temos é o CAMPUS POETA TORQUATO NETO da UESPI. Sim. Boa essa aí. Será que os universitários desse campus o conhecem? Uma boa parte da galera que estada lá, que eu conheço, não o conhece. Foda isso, né? Os caras estudam em uma universidade e não sabem quem é o cara que tem aquele nome. Os caras são universitários? Fica a critérios de vocês. Não me responsabilizo por nada.
Ah! Tem outra. Torquato é o nome de uma coluna de “jornalismo cultural” no jornal “O DIA”. Os leitores daquela coluna e os leitores daquele jornal o conhecem? Bicho, eu acho que mais da metade não sabe nem quem diabos foi Torquato Neto. O pior que quem ler jornal tem cultura. Cadê a cultura dos caras?

Mais outra. Deixa-me ver. Têm muitas. Ah! Tem o “Clube dos Diários”. Lá tem uma sala chamada “Sala Torquato Neto” (eu espero que lá passe cinema marginal. Eu nunca fui lá. Vou algum dia desses.). Agora lá eles (os freqüentadores) conhecem (assim penso eu). O Clube dos Diários é freqüentado pela “elite intelectual piauiense”. Eles devem conhecê-lo. Ah! Tem um fato interessante. Em vida, Torquato, foi várias vezes proibido de freqüentar o Clube dos Diários (só por que o cara utilizava experiências psicodélicas). Acho que criaram a sala para se redimir com o poeta. Os caras se redimiram tarde demais!

E o Prêmio Torquato Neto? É. Tem o Prêmio Torquato Neto. É um concurso de poesia promovido pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves (os que ganham, seus livros são publicados por essa fundação). Isso é bom, né? Vocês que estão falando! Eu não acho. Esse prêmio nunca premiou Torquato Neto. NUNCA foi publicada uma obra do Torquato Pela Fundação Cultural Monsenhor Chaves. Aliás, nunca uma obra do Torquato foi publicada no Piauí. É. Isso é incrível. Todos os seus livros foram publicados no Rio de Janeiro. Estranho isso. Ao menos eu espero que eles no Prêmio Torquato Neto premiem poetas marginais, pois Torquato era um poeta marginal. Será que eles fazem isso? Vamos pesquisar! Esperem!

Falando de livros... quantos livros os piauienses escreveram sobre Torquato Neto? Deixa-me ver. Estou pensando. Mais um pouco. Lembrei. Foram 2 (dois). É. Dois. Mas só dois? Sim, só dois. Um foi a tese de doutoramento do Prof. Edwar Castelo Branco (que foi publicada em São Paulo). O Outro é o livro do Kenard Kruel (Torquato Neto ou a Carne Seca é Servida). Será que os piauienses é aquele “ninguém” da música “O homem que deve morrer”? (“Mas ninguém nunca decifrou / O que ele nos mandou dizer”.). Eu conheço varias publicações e trabalho acadêmicos a respeito de Torquato Neto pelo Brasil, mas é só no Piauí que não tem. Tem em todo canto do Brasil. Até no extremo sul do país (Rio Grande do Sul). Isso é para vocês verem como nós damos valor ao que supostamente é nosso.

Espera aí. Aqui só tem desgraça? Não. Tem algumas coisas boas que fizeram também. São poucas, mas tem. Torquato foi homenageado no V SALIPI (Salão do Livro do Piauí) no ano de 2007. Um dos maiores eventos culturais do Estado do Piauí, que homenageia grandes escritores piauienses. Ao menos isso eles souberam fazer direito. Eita. Ia esquecendo. Também temos o site do poeta (www.torquatoneto.com.br). No site vocês encontram várias coisas sobre o Anjo Torto. O site é massa. Vale à pena conferir. Uma das melhores que coisas que fizeram aqui no Piauí.

Isso foi um pouco do que eu queria falar a respeito do nosso Anjo Torto. As lacunas do estado do Piauí a respeito do poeta. Torquato Neto. O poeta mais falado, mas o menos conhecido, e para mim, o menos lembrado. Fica aí a minha deixa. Vão conhecer o cara e reverter essa situação. O Cara é foda. O cara é bom.

“E assim fiz a louvação, louvação, louvação / Do que vi pra ser louvado, ser louvado, ser louvado. / Se me ouvirão com atenção, atenção, atenção, / Saberão se estive errado”. Deixo aí três vivas para o nosso, como Wally Salomão o chamava, forte herói underground. Leão alado sem juba. Nosso astro doido a sonhar. Nosso moço das ânsias. Fico por aqui. Adeusão.

Apologia aos poetas

Drummond
Torquato
Quintana
e Vinícius.
Poetas com gosto
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Ensina-nos
encanta-nos
evocai-vos.
Não queremos
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nem se igualar.
Só queremos poetar
e demonstrar
nosso amor pela poesia.