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28 de novembro de 2010

Géssica

Genuína peça
encontrada em um quebra-cabeça
sensível
sensorial e humano que é
indecifrável
como algo que desconheço, mas que
admiro como nunca.

24 de novembro de 2010

Universitário

Um dia desses estava eu indo à parada de ônibus me dirigindo à universidade. No meio do caminho eu não encontrei uma pedra como Drummond o fez, mas me deparo com uma amiga minha que estudou comigo o Ensino Médio. Ela estava vindo do trampo dela e tal. Aí pensei: qual a minha diferença em relação a ela? Aí pensei, pensei, pensei. Veio-me uma coisa na cabeça: eu sou universitário e ala não; eu passei numa merda de vestibular e ela não. Isso pode ser considerado uma diferença? Talvez sim, quiçá não. No entanto eu penso que fato de eu ser universitário não me faz uma pessoa melhor do que ninguém e nem melhor do que essa minha amiga. Tem uns pau no cu por aí que se acham a bala que matou John Lennon só porque estão numa merda de universidade, seja ela publica ou particular. A maioria desses otários fazem Direito ou Medicina ou algum curso de bacharelado em alguma merda. Esses cursos que dão status quo. Na maioria das vezes, grande maioria mesmo, são otário que nem mesmo gostam do curso, mas estão neles só porque são patricinhas e playboys que querem se diferenciar dos demais. E que diferença é essa? Universitário de cu é rola!

Qual a vantagem de se está numa universidade? Eu não vejo vantagem nenhuma. O que tu poderia aprender dentro de uma universidade/faculdade tu também poderia aprender fora dela. O fato de uma pessoa está numa universidade não faz uma pessoa mais sabia, inteligente, ou mais intelectual do que outra. Eu mesmo conheço alunos secundaristas, autodidatas, analfabetos e vagabundos iluminados, usando uma frase de Jack Kerouac, que são mais inteligentes do que dementes e alienados que estão socados dentro de uma universidade. Tenho um exemplo de um vagabundo iluminado: conheci um cara chamado André através de outro amigo e tal. Conheci-o pessoalmente e depois pelo twitter; o cara é muito inteligente, meu; muito mais inteligente do que eu anos luzes. Ele não está numa universidade e eu estou. E aí? E agora, José? O cara não precisou passar por um estado burocrático chamado universidade para ser inteligente. Só bastou ler. Ler. Ler. Ler. Conheço também uma menina de 14 anos que é aluna secundarista; a guria conhece mais de filosofia sofistica do que eu e tem um conhecimento do caralho sobre religião que eu gostaria de ter. Ela é secundarista e eu universitário. Sou melhor do que ela? Sou nada, sou mais ela.

Por isso universitário, vocês são uns merdas. Vocês não são melhores do que ninguém. O que tu aprende socado dentro duma universidade uma pessoa fora dela aprende também, e às vezes melhor do que tu. Mais uma vez: universitário de cu é rola. Uma contradição: a única diferença da pessoa que está na universidade/faculdade é que ela vai receber um pedaço de papel chamado diploma, que quando a pessoa receber se pergunta: e agora? O que eu faço com isso. Mais uma vez: o conhecimento que se aprende dentro da universidade se aprende fora dela também. E isso não serve como diferença.

Novembro / 2010

E se...

E se eu fosse diferente do que sou
mudaria alguma coisa?
E se o mundo fosse outro
seria diferente?
E se eu soubesse escrever
seria escritor?
E se eu soubesse amar
eu seria um cara mais legal?
E se tudo fosse e se
o que seria de mim?

Setembro / 2010

9 de novembro de 2010

Poesia

Até hoje eu me pergunto o que eu escrevo. Eu acho que aquilo que escrevo não são poemas e nem chegam perto de ser isso. Não tem todo aquele encanto, saca? Toda aquela inspiração. Leio Carlos Drummond de Andrade e ele diz que o poema sai de uma vez. No supapo. Se tu estás sentindo aquelas dores, tu pari na hora sem precisar de ajuda da parteira ou de um médico. Comigo não. É diferente. Às vezes acontece isso aí e tal, mas mesmo assim, eu acho, eles continuam sem graça. Comigo é tudo planejado e sem graça. Eu fico pensando em determinada coisa, aí penso, penso, penso, penso. Aí resolvo escrever no papel. Às vezes fico pensando em um poema durante uma semana. Não vejo graça nisso. Poesia tem que ser espontânea. Do nada. Da mente. Do jeito que acontece comigo não tem graça, sem encanto, sem sentimento, sem emoção, poemas vazios. Estou achando que vou aposentar minha caneta azul. É culpa da cor azul, preto, vermelho, verde, do arco-íris, ou de mim mesmo? Vou parar de escrever poesias. Vou escrever mesmo só esses textos sem graça. As pessoas que lêem meu blog são poucas. Mas escrever é legal. Mas até esse momento aposento minha caneta. Até mais, papel.

Uma observação: um poeta não se faz só com versos.

O anjo

O anjo vem aqui,
vem aqui avisando todo mundo
ou uma pouca parcela dos poetas.
Quando Torquato nasceu
um anjo louco muito louco
falou a ele: vai bicho desafinar o coro dos contentes.
Quando Drummond nasceu
um anjo torto que vive nas sombras o disse:
vai, Carlos! Ser gauche nessa vida.
O anjo foi a Drummond e ao anjo torto.
E cadê meu anjo?
O anjo não veio ou está atrasado,
está machucado ou mal informado,
mas peguei o recado do anjo
por outro com asas de avião.

2 de novembro de 2010

“Só os loucos sabem...”

Essa frase é um pedaço de uma musica do Charlie Brown Jr. Eu não estou falando aqui que Charlie Brown presta não. Só peguei esse pedaço da música porque achei interessante. Charlie Brown já prestou para mim, para outrem eles nunca chegaram a prestar. Mas eu quero que o Charlie Brown se foda e eu continue meu texto.

Estou escrevendo esse texto ao som dos The Doors. Para alguns isso é música de louco, drogado, de gente que não tem nada o que fazer. Mas vou usar aqui só o louco mesmo. Por isso que começo meu texto com essa frase: “só os loucos sabem...”. Mas o que é ser louco? O que as pessoas entendem por ser louco? Eu não sei, mas vou contar aqui o que alguns amigos meus, caretas, falam em ser louco.

Uns caras que moram aqui perto da minha casa, meus amigos, falam que eu sou louco. Mas por que, segundo eles, eu sou louco? Eles dizem, entre outras coisas, e outras merdas, que eu sou louco porque eu faço História, porque eu escuto Rock’n’Roll, porque eu voto e sou da “esquerda”, porque sou militante do Movimento Estudantil, porque eu sou ateu, e até porque eu sou feio, entre outras merdas e absurdos.

Vou pegar só uma das merdas que eles falam para a ilustração do meu texto. Eles dizem que eu sou louco porque eu faço História. Quem faz História é louco? (vocês aí da História respondam isso aí). Não sei de onde eles tiraram isso, mas acho que, lato senso, isso não é verdade. Eles estão, como na maioria das coisas que falam, errados. Não aqui no Piauí. Pode ser em outro lugar, mas não aqui. Tiro como exemplo os meus queridos amigos de faculdade. São as pessoas mais normais que eu conheço. Caretas ao extremo. A insanidade, infelizmente, andou foi longe daquela universidade. Uma pena isso, no entanto existem uns caras lá resistindo a esse estado burocrático e chato, além de careta.

Deixo aí uma pergunta no ar: o que os loucos sabem? O que sabemos que as outras pessoas não sabem? Sabemos demais, ou são eles que não nos entendem? Diga não a uniformidade e se junte, ou não, se for capaz, a nós. Se junte a “Sultifera Navis”. Adeus, bastardos.


Novembro/2010

1 de novembro de 2010

O amor

Palavra doce
Que é doce e amarga ao mesmo tempo
Que tem o mesmo sabor
As pessoas amam?
Usam tanto essa palavra
Que se abusa de ouvir
Em poemas, em musicas, na tua boca
Elas gostam? Sabem o que é isso?
Estão amando? Ou só banalizando?
Nem eu sei. Eu uso, mas não sei qual o sentido
Não sei se é amor de verdade ou um sentimento passageiro
Que se veste de amor, mas não é amor
Como é que se sabe?
Só se aprende amando!
E eu não estou apto a responder esta pergunta
Porque não sei se é amor
Ou o que é o amor.

Tecnologia

Tecnologia
Tecnocratas
Tecnoburros
Tecnomulas
Não sabemos mais fazer nada
Sem a porra do computador
Não temos mais abstinências (?)
Abstinência de sexo, se fome, de amor
Temos abstinências de tecnologia
Abstinência de Orkut, de MSN, do Twitter
Criamos uma maquina que nos tornou uma maquina
Uma maquina que depende da outra
O que somos sem o computador?
Somos nada. Tornamos-nos nada.
Fizemos o nosso próprio nada.
O nada da tecnologia, da tecnocracia.