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11 de dezembro de 2010

Considerações sobre a saudade

Aqui estou eu deitado numa cama vagabunda
pensando nela.
Queria que ela estivesse do meu lado
pensando na vida, no futuro, no tudo, no nada.
Porém existe uma coisa que atrapalha tudo isso
que é a distância, irmã fiel da saudade.
Aí rola aquela insegurança:
Onde ela está?
O que está pensando?
O que está fazendo?
Insegurança essa irmã da preocupação.
Saudade dói.
Uma saudade que nem dá para explicar,
uma saudade que não dá para matar,
saudade daquilo que não aconteceu,
mas que talvez possa acontecer
um dia que não sei, que aumentará mais ainda está saudade,
saudade que dói e machuca.

Dezembro/2010.

9 de dezembro de 2010

9 de Dezembro

É, velho. Hoje estou completando 20 anos. E agora? O que diabos eu faço da minha vida? O que vai ser de mim daqui pra frente? Às vezes eu me pergunto se não era melhor ter ficado na barriga da minha mãe. Ter alongado esses noves meses que fiquei lá por uma eternidade que eu desconheço. 

O que eu sou hoje? O que pensam de mim hoje? Sou um estudante universitário vagabundo que não vale nada. Que não quer nada da vida. Eu sou o Vinícius. E daí? O que isso importa? Pensam por aí que eu sou um vagabundo e tal. (Estão errados?) Um dos mais loucos e sem paciência dos 09. Grande coisa! Sou louco. Sou ateu (estou revendo essa minha posição depois de algumas leituras e explicações do Agostinho). Sou revoltado. Sou torquatiano. Sou drummoniano. Sou feio, esquisito, agora tão dizendo que eu estou gordo. E daí, meu? O que isso importa pra mim? Qual diferença vai fazer na minha vida?

Hoje faço 20 anos! 20 anos! E daí? Isso não tem importância. Só estou ficando mais velho. Old. Coroa. E isso para mim não é importante. Pra mim não importa nada. Não importa essa minha vida. Não importa essa minha morte. E se eu me matasse hoje? Faria alguma diferença? Seria que nem Torquato Neto? Ao invés de morrer dia 9 de Novembro eu morreria dia 9 de Dezembro. O que importa, velho? Estou nem aí. O que aparece de bom na minha vida vai embora. Tudo é efêmero. Não demora nada. Hoje estou feliz, amanhã triste. Já era. Não importa. Estou cansado. Cansei mesmo.

Hoje tem pessoas que ganharam importância na minha vida. E daí? Elas somem, ou são só mascaras. Cansei. Cansei. Cansei. Esse mundo não presta e não estou mais agüentando ele. Cansei. Cansei. Deprimo-me, fico triste e por aí vai. Tem pessoas que me fazem feliz, e outras que me fazem infeliz também. A felicidade mora aqui? Mora no Piauí? Se ela está por aqui eu ainda não encontrei ela não.

E por que viver? Por que continuar nessa vida infeliz? Cadê Deus? Cadê os Deuses? Cadê tudo? Cadê nada? Cadê a importância? Não tem! Não encontrei. Falam que me amam. Cadê esse amor? O que é o amor? Cadê, velho? Cadê, porra? Não existe! Não está aqui. É efêmero.

Chorar não adianta nada. Não adianta se emocionar. Não adianta ser romântico não. Nesse mundo em que vivemos não adianta nada. Nada importa. Nada importa nesse capitalismo, no comunismo, na tecnologia, na tecnocracia. Já deixamos de ser humanos há tempos. Só quero viver, ser humano, não ser mais frio e isso está difícil. Está muito complicado. 

E para quê 09 de Dezembro? Uma data qualquer como outra que não existiu. Um dia da semana. Um dia qualquer do mês de Dezembro. Um dia qualquer do ano de 2010. Vai lá. Nada mais importa. Mudar. Mudar? Pra quê? Sei lá! Mudar essa minha realidade que só assim mudarei e as coisas passaram a fazer sentido. E o que eu quero? Qual o meu presente? Só quero viver meus doces sonhos. Só quero viver numa boa.


Teresina (PI), 9 de Dezembro de 2010.

6 de dezembro de 2010

Diálogo

Vai lá. Eu não. Tu vais? Eu vou. Vai por quê? Porque eu quero. Por que tu queres? Ah, sei lá. Não sabe por quê? Porque não sei. Tá difícil. O que é difícil? Não sei. Assim não dá. Vai lá. Aonde? Desafina. Desafinar o quê? Qualquer coisa. O que seria isso? Não sei. Por que tu falas? Porque eu quis. Então tá. Beleza. Tu vais? Estou pensando. Pensa logo. Espera. Tu pensas? Acho que sim. Ainda acha? É. Sei não, em?! Sabe o quê? Nada não. Relaxa. Estou relaxado, porra. Então tá. Está certo. Já era. Já se foi. Então vamos. Vamos!

Maio/2010

Ilusão

Você me engana?
Ou é eu que estou sonhando?
Sou eu que te iludo?
Confundindo as coisas?
O que é ilusão?
Ou tudo isso é ilusão da minha mente?
Ledo engano esse meu!
Pode ser até ilusão,
Mas nem eu e você podemos responder.
Ou tudo isso é ilusão nossa?

Junho/2010

3 de dezembro de 2010

Perfeição

O que é perfeição? Existe perfeição? Às vezes é isso o que anda rolando na minha mente. Pergunto-me o que seria uma menina perfeita para mim. Uma menina massa que o cara namora, com ou sem sexo, tanto faz, uma menina que o cara tá afim de casar e tal. Uma menina que o cara pode agüentar no seu dia-a-dia, na sua vida. Será que existe? As pessoas falam que se num relacionamento não ocorre conflito o troço não vai pra frente. Não sei se isso é verdade ou não, mas também não nego isso. Mas isso é outra estória. 

As vezes meus amigos perguntam-me e até eu mesmo por que eu não tenho uma namorada. Por que só fico com as meninas, faço sexo e me mando? Nem eu mesmo sei, velho. Saca, as meninas não têm aquele, aquele, sei lá... aquele encanto. As meninas que eu fico não despertam um desejo de poder conviver e passar a conversar diariamente, ou não, com elas e tal. Não procuro uma menina perfeita, porque até mesmo eu não sei se isso existe, né. Procuro uma menina que me entenda, que me aceite do jeito que eu sou e quero ser. Mas isso está difícil, como minha avó já dizia, do que leite de onça. E aqui no Piauí? Pois é... fudeu! Ou não, né?! Eu que não devo ter procurado bem e ainda não a encontrei. Encontro meninas que me “entendem” aí por esse cyber espaço da internet, mas as gurias moram longe pra caralho, meu. Aí é foda, né?! Mas deixa como está, está beleza.

Mas que tipo de menina eu procuro mesmo? Qual a menina “perfeita”? Eu não peço muito não, meu. Como já falei acima, só quero uma menina que me entenda (tá difícil!)e me aceite do jeito que eu sou. Que não tente me modificar, modificar o jeito que eu sou e meus gostos e vontades. Será pedir demais? Uma menina que escute músicas legais, uma menina que leia bons livros, uma menina que reconheça o verdadeiro valor da poesia, da literatura, da história, e por aí vai. Uma menina que beba umas, fumar é opcional. Uma menina que tenha a mesma visão ou parecida de mundo do que eu. Ela não precisa cursa História, Letras, Artes ou Cinema, mas que saque ao menos essas paradas. Não precisa gostar, mas que reconheça a importância dessas paradas e outros bagulhos sinistros. 

Não sei. Encontro essa menina antes de morrer. Mas fico aí na expectativa, na procura no meu universo underground e fora dele também. Falou aí, moçada! Madrugada boa essa. Parar aqui de escrever e voltar a dormir. Falou para mim agora.

Novembro / 2010