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19 de agosto de 2011

Filhos de Clio

“Veio para ressuscitar o tempo e escalpelar os mortos, as condecorações, as liturgias, as espadas, o espectro das fazendas submergidas, o muro de pedra entre membros da família, o ardido queixume das solteironas, os negócios de trapaças, as ilusões jamais confirmadas nem desfeitas”. É com o inicio do poema “O Historiador” de Carlos Drummond de Andrade que começo minha elogia a esse filho de Clio, deusa da História, o historiador.

Como já bem nos diz Drummond o historiador veio para ressuscitar o tempo. O passado, e agora o presente. Anteriormente quando se tocava no nome historiador se remetia somente aquela pessoa que estudava o passado tal como ele aconteceu. Essa definição de nosso oficio já está por mais superada. O historiador é o pesquisador que estuda o passado, mas não somente ele. O historiador agora também estuda o presente. Essa revolução na historiografia mundial se dá no início do século XX quando uma corrente historiografia francesa, denominada Escola dos Annales, veio com uma nova perspectiva de se estudar a História. Para esses historiadores percussores do movimento a História é mais do que simplesmente narrar os fatos tal como eles aconteceram, do que os mesmos chamavam de método positivista. O historiador a partir de agora tinha a responsabilidade de problematizar seu estudo, isto é, a fonte não iria mais falar por si só, como queriam os positivistas, mas caberia ao historiador fazer às perguntas a mesma; fazer a fonte falar a partir das suas inquietações, das inquietações do seu presente.

O oficio do historiador vem muito da relação do historiador com o mundo, das suas inquietações, da sua relação de vida e etc.. Em suma, a prática historiografia vem muito de uma questão pessoal. Às vezes, eu mesmo falo que o historiador é um ser frustrado. Frustrado no sentido de não ter vivido a época em que ele propõe-se a estudar. E uma maneira de superar isso é estudando aquilo que lhe interessa; aquilo que gosta. Como bem nos diz a Prof.ª Teresinha Queiroz, não devemos pesquisar sem amor. O historiador tem que amar o tema que pesquisa, tem que gostar por uma questão pessoal e não uma imposição, pois caso isso aconteça seu leitor irá perceber certo grau de frustração em seu trabalho. Com amor, penso eu, seja tudo melhor.

É graças aos historiadores formados pela Universidade Federal do Piauí e Universidade Estadual do Piauí que a História do Piauí está ganhando destaque e visibilidade em nosso Estado. Graças às pesquisas desenvolvidas pelos estudantes da graduação, mestrado, e professores dessas Universidades, que Clio se satisfaz com seus filhos. Não há um povo sem História, e é por isso que devemos ressaltar o papel dessas instituições como ao mesmo tempo dos historiadores de formação e, por conseguinte àqueles que não tiveram essa oportunidade, todavia desempenham o mesmo papel, quiçá até melhor do que os de formação.

E é hoje, 19 de Agosto, dia do Historiador que encerro essa minha elogia com o final do poema de Carlos Drummond de Andrade. O historiador “veio para contar o que não faz jus a ser glorificado e se deposita, grânulo, no poço vazio da memória. É importuno, sabe-se importuno e insiste, rancoroso, fiel.” Portanto, o que mais pedimos aos historiadores do Piauí é amor a sua terra, amor ao que é nosso, amor a nossa História. Salve Clio!

(Artigo publicado no "Jornal Meio Norte" e "Jornal O Dia" do dia 19 de Agosto de 2011)

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