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24 de outubro de 2011

não sei II



penso para logo existir
leio para logo pensar
isso tudo faz sentido?
qual o sentido disso?

acadêmico...
minha vida se diminui a isso
a leis, teorias, etc., etc., etc.
isso tudo faz sentido?
qual é a lógica do sistema?

estou deitado
e daí?
leio um poema
penso, penso, penso,

pensei!
pensei que a vida é mais que isso
a vida é a vida
é só viver.

parece fácil, né?
será que as pessoas sabem viver?
elas aprenderam ou desaprenderam?
não sei... nem eu sei viver!

vida?
é uma coisa que eu me nego a afirmar
é doce?
não sei, não vivo, estou com fome.

você?
respostas que eu afirmo plenamente
sobre mim, você, e o mundo
voltei às teorias... a vida acabou e nem começou.



Teresina, XIX, X, 2011.

23 de outubro de 2011

Arquivo Público do Piauí



O Arquivo Público do Piauí ou Casa Anísio Brito completou no ano de 2011 seus 102 anos de existência. O mesmo foi criado em 08 de Julho de 1909 pela lei estadual nº 553. A Casa Anísio Brito, chamada assim porque foi criada em seu governo, surgiu das idéias inovadoras que penetraram o Piauí durante o início do século XX com intelectuais como Abdias Neves, Clodoaldo Freitas, Higino Cunha, Antonino Freire e o próprio Anísio Brito.

Repositório da história e memória do povo piauiense, o Arquivo Público do Piauí tem grande importância para os trabalhos historiográficos desenvolvidos sobre a História do Piauí. Nele está contida a documentação do poder executivo, poder legislativo e poder judiciário desde o século XVIII. Além dessa documentação, existe também a hemeroteca, contendo mais de 395 títulos jornais publicados no Piauí, a fototeca com mais de 15 mil fotografias abrangendo o século XIX e XX, um registro de materiais sonoros e visuais, desde fita cassete, fitas de rolo, fitas de vídeo e micro filmes de jornais, como também uma biblioteca de apoio composta por mais de 1800 títulos abrangendo História e Literatura do Piauí.

Somente com esse pequeno resumo do que seria a Casa Anísio Brito vemos a máxima importância que essa instituição deveria receber do Estado. Todavia, isso não vem acontecendo. Fiz minha primeira visita ao Arquivo Público do Piauí no ano de 2009 quando entrei no curso de História da UFPI, e quando o mesmo estava completando seus 100 anos, e me deparo, então, com um local que não tinha condições de ficar mantendo toda a documentação que nele existe. No arquivo, especificamente a sala que abriga as estantes de documentos, o teto estava quebrado e o acervo estava correndo um grande perigo de ser danificado.

Além disso, escutamos também as lamurias dos funcionários do arquivo no que diz respeito à atenção que o mesmo não estava ganhando. Na época, quando completava seus cem anos, havia-se uma promessa da reforma no mesmo ano (promessa essa que já estava sendo feita há mais de 10 anos), mas não foi executada.

Estamos em 2011, dois anos depois, e nada dessa reforma ao menos se iniciar. Só promessas e mais promessas. Na sexta-feira passada, 21 de Outubro, dois dias depois do Dia do Piauí, estudantes de História tiveram que se retirar do Arquivo Público do Piauí, onde estavam consultando matérias para suas pesquisas, devido às péssimas condições que o mesmo encontrava-se. E com essas chuvas repentinas na capital complicou mais ainda sua situação.

Eu vos pergunto: onde estão os vereadores, deputados, senadores, prefeitos e governador do Estado do Piauí que não observam a situação do nosso Arquivo Público do Piauí? Onde está a Fundação Cultural do Piauí – FUNDAC, órgão responsável pela administração do arquivo, que não toma nenhuma providencia? Querem que a nossa História, a História do povo do Piauí que foi tão celebrada no dia 19 de Outubro, seja apagada?

A Casa Anísio Brito precisa de uma reforma e uma modernização de suas instalações em caráter de urgência. Da maneira que está vamos perder a nossa História! Caixas que contém jornais e outro tipo de documentação já estão sendo fechadas para pesquisa, pois o material está se deteriorando. Cabe lembrar também que, não existe ainda uma política de digitalização dessa documentação por parte da administração do arquivo. Temos que reverter essa situação, pois a documentação que se encontra no Arquivo Público do Piauí precisa de ajuda e divulgação. O Piauí tem muita História para contar e boa parte dessa História está na Casa Anísio Brito. Cuidemos do que é nosso, cuidemos da nossa História! O Arquivo Público do Piauí pede socorro, nossa História também!


Vinicius Alves Cardoso é graduando em História pela UFPI.

Artigo publicado na coluna "Opinião" do Jornal O Dia de 23 de Outubro de 2011.

19 de outubro de 2011

não sei

eu me pergunto
ser
ser ou não ser?
foda-se a questão.


critica existencial...
existencialista,
não individualista
nem egoísta
bobagens da existência
ser
do ser.


eu que não sou pronome
Torquato foi pronome
pessoal e intransferível
ele foi
ser
o ser que embala essas letras
e a existência.


eu não
não quero
ser
ser aqueles idiotas
profetas do apocalipse
eu sou.


existo?
escrevo?
ser
ser mais um
nesse mundo que não tem jeito


paralelo
esse é
ser
o meu ser, a minha vida
ser nada me configura.


desconfigurava
meu corpo, minha mente,
ser
a letra feia e errada
eu não sou.



ser
ser
ser



ser quem?



teresina.pi.19.10.2011.