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6 de novembro de 2011

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Estava eu mais uma vez bebendo mais meus amigos. Aquele velho ritual chato de uma pessoa aniversariar e nós ficarmos bebendo até passar mal no outro dia. Já estou até acostumando com essas coisas. No outro dia sempre nos arrependemos, mas deveríamos pensar assim na hora que estamos bebendo. Deixemos isso para lá.

A bebida, na maioria das vezes, faz você comentar algo com alguma pessoa. Você gostaria de ter comentado aquilo quando estava bom, todavia não tem a coragem necessária. Eu não tenho essas frescuras. O que é para falar, devemos falar na cara. Ficar enrolando os outros é chato. É uma coisa que você não deseja a você, logo não faça aos outros.

Sempre surgem assuntos como educação, religião, sexo, etc. e tudo mais. No dia de ontem não foi diferente. Começou com religião. Não sei por que, mas as pessoas sempre lembram que eu sou ateu quando nós estamos bebendo e sempre vem fazer um comentário tosco e sem fundamentação sobre isso. Na maioria das vezes, para não falar sempre, eu deixo para lá. Não levo a frente às discussões porque não me interessam e a minha finalidade naquele lugar é bebe e não ficar discutindo religião. As pessoas não fazem isso quando estão sóbrias e vão inventar de fazer isso quando estão bêbadas, é? Faça-me um favor! Vão tomar no cu!

Ontem um amigo me perguntou quem era Deus?! E eu para cortar logo ele falei que era o Google (e o Google é um Deus mesmo!). Aí começaram as viadagens. O cara me perguntou quem criou o Google, eu disse que tinha sido um cara. Ele me perguntou quem tinha criado o cara, eu disse que tinha sido a mãe do cara. Ele me perguntou quem tinha criado a mãe do cara, eu disse a avó do cara e assim por diante. Até quando ele se cansou e disse que o que me esperava era o inferno. E eu: massa, bicho! Somos nós! 

Eu não posso ter autonomia de não acreditar num Deus cristão não? Só existe o Deus cristão, é? Puta que pariu, cara. Uma pessoa que pensa dessa forma tem uma mente muito reduzida. Fico pasmo com o pensamento dessa pessoa. Não sabe viver com a diversidade. Eu posso muito bem acreditar (e acredito!) que o Google é um Deus! Milana é uma Deusa! Maria dos Humildes é uma Deusa! E têm mais Deuses por aí. Eu sou politeísta. E daí? Posso não? Cadê a liberdade de credo me concedida pela Constituição Federal do Brasil? É foda isso, cara. As pessoas me conhecem há séculos e tal, mas mesmo assim não aceitam o fato do Vinicius ser ateu. Eu tenho a obrigação de aceitar a religião deles. Mas eles não podem aceitar a minha “religião”. Será que tem alguma coisa errado aí? Eu acho que tem sim! Essa parada de ficar discutindo religião é tenso, bicho. Minhas tias colocam a culpa no curso de História. Antes fosse. No curso de História da UFPI tem mais cristão do que sei lá o quê. Foi uma visão que quebrei ao entrar na Universidade. Pensava que quando entrasse lá e tal teria várias pessoas que seriam ateus e maluconas. Ledo engano meu. Mas é assim mesmo. A vida é feita de construções e desconstruções historicamente construídas. E o que é mais massa, cara: as pessoas que estão na Universidade, que deveria ser o antro da diversidade, pensam que nem os caras que bebem comigo. Aí é foda de se conviver com numa sociedade dessa. 

Minha mãe fica reclamando que eu fique mofando dentro do meu quarto, mas o que diabos eu vou fazer lá fora?! Fazer nada, que nem estou fazendo no meu quarto. É por isso que sou mais construir meu mundo imaginário. É mais legal. É melhor do que o cara ficar vivendo essa realidade velha chata. Aí vêm os éguas que se acham os profetas do apocalipse, para falar de Raul Seixas, dizer que essa parada de Sociedade Alternativa é uma balela. Dizem que temos é que viver a nossa realidade e transformar ela. Eu tentei e tento transformar, mas não do jeito que eles querem. Isto é, não adianta nada para eles, vou ser criticado da mesma maneira. Então, foda-se! Só sei que nada sei que estou aqui no meu quarto escrevendo esse texto no meu notebook dentro duma rede com o ventilador ligado e minha irmã na sala escutando um som ruim do caralho! Mas fazer o quê? É a minha realidade. Meu quarto É A MINHA REALIDADE. Quer viver ela? Vem aqui e escreve algo na parede também.

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