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24 de março de 2012

Sou eu!

Não sei. Não sei mais de nada. Não sei o que vou ser da minha vida. Não sei o que quero ser. Não sei se quero viver. Não sei se sei amar. Não sei se sei pensar.

Queria ser somente um pacato cidadão sem documento. Não queria ser Vinicius Alves Cardoso. Para quê ser Vinicius Alves Cardoso? Devia ser um hippe vagabundo, como diz minha mãe quando estou com o cabelo muito grande.

Ultimamente ando sem uma vontade de viver que não é normal. Já tive vários sonhos de como poderia me matar. Li em um conto de meu amigo Helton Filho que P. nunca pensou em se matar independente das duras situações que ele já viveu. E por que eu deveria me matar? Será porque não vejo mais graça em nada? Não vejo mais vantagem na minha profissão! Não vejo mais vantagem na História! Eu não, não, não, não. É tanto não que não sei mais falar. Não sinto mais aquele tesão que as pessoas tem em viver, saca?

Minha namorada diz que eu quero ser o Torquato Neto. Que eu me martirizo por não ser Torquato Neto. Que eu entro em conflito com o Vinicius por não ter nascido Torquato. Torquato que nos ilumina na sina da tristeresina! Resina! Tesão, cara! Eu não tenho mais tesão. Quiçá eu não tenha mais tesão nem na hora que o tesão é empregado. Tesão, cuzão. NÃO. NÃO. NÃO. O ‘ão’ sempre acompanha as palavras. Linguagem.
O que eu quero falar? O que ele nos mandou dizer? Eu não tenho o direito de criticar nada que eu quero criticar. Eu não tenho fundamentos para criticar uma religião porque sou ateu. Os ateus acreditam em um deus que nem eles mesmos acreditam. As pessoas não deixam que eu seja anacrônico. Eu não posso querer seguir uma filosofia de vida que está escrita nos livros de Torquato Neto, Jack Kerouac, Allen Ginsberg e outros marginais do Brasil, EUA e demais países, no entanto todos podem seguir uma filosofia de vida que eles vêem na bíblia. Por que eles têm esse direito, socialmente e historicamente adquirido, e eu não tenho? Eles são mais bonitos que eu, né?

Eu sei que todas as pessoas são mais bonitas do que eu. Não me importo com isso, todavia só queria ter o mesmo direito que eles têm de acreditar nas coisas deles. Eu queria acreditar nas minhas próprias coisas. Acho que não é pedir demais. Só porque eu tento não seguir a moral cristã que querendo ou não acabamos seguindo?! Será por isso? Cajuína cristalina em Teresina.

Vamos ao rio Parnaíba e Poty pescar ou ficar só vendo como eles estão secando. Vamos ao centro de Teresina andar pelas praças desertas cheia de viciados em crack. Podemos? NÃO, NÃO, NÃO. Somos loucos. Não somos normais. Somos teóricos.

Sou teórico do sexo, sabia? É isso que estão dizendo por aí. Longe de mim querer ser uma coisa dessas, no entanto o que eu quero ser eu não faço. Já percebi isso. EU TENHO MEDO. Nós temos medo. O medo é uma bosta. Tenho medo de morrer, tenho medo de me matar. Despertar: uma vida em Buda! Não li esse livro ainda. E ae? O que será de mim? A que será que nos destina nessa vida pequenina? Terra! Chão! Ande descalço e sinta a terra pelo menos uma vez na vida. Banhe de chuva. Banhe no rio Parnaíba ou no Poty. Morra! 

Por que Torquato Neto morreu? Porque ele não agüentou a barra? Será que ele estava que nem eu estou agora? Olha aí... já quero ser Torquato Neto que nem minha namorada disse. Que porra é essa, Vinicius? Tu tens que ser tu, cara! Tu tens que desafinar o coro dos contentes com aquilo que tu sabes fazer de melhor. E o que é? Eu não sei! Não quero saber e quero saber se alguém sabe. Existirmos? Existimos? Não? Não sei. Eu não sei nem o que eu quero ser quando eu crescer, imagina saber se nós existimos. 

Hoje tem um churrasco. Eu não quero ir. É em comemoração a formatura de uma amiga que minha namorada gosta muito. Aprendi a gostar dessa menina pelo que minha namorada fala dela. Mas mesmo assim eu não quero ir. Não quero ir porque não gosto de sair, não gosto de nada que tenha muitas pessoas, de nada que eu não sei que eu saiba o que vá acontece, que eu já tenha tudo previamente planejado e certamente que eu vá me chapar para me arrepender no outro dia quando eu estiver de ressaca!

As coisas são assim. Vamos para um disco? Eu quero andar num disco voador. Quero ir para a lua e ser mais feliz lá do que na terra! Li um texto do Agostinho na Mob Ground sobre um experimento que ele fez com umas sementes. Eu viajei. E nesses dias estou me sentindo o Agostinho doidão pelas sementes, mas só que pela essa vida maldita que eu ando levando. Ele tinha uma amiga que estava atrás do computador no MSN que ligava ele a realidade. Eu tenho minha namorada que me liga a essa realidade chata. A essa realidade da moral cristã. Estou cansado. Estou ouvindo Fagner e Zeca Baleiro cantando Torquato Neto e depois disso vem Caetano Veloso cantando ‘cajuína’. Está bom por hoje, parafraseando Agostinho, do diário apocalíptico.

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