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25 de janeiro de 2015

A tia

A vida não andava boa. 

Não sei aonde conseguimos tantos problemas, sejam eles pessoais ou de saúde. Nesse caso, para ser breve, meu problema era de saúde. 

Fui à clinica saber o porquê de umas dores abdominais que estava sentindo, e ao chegar lá tenho uma breve surpresa ao encontrar uma amiga de minha mãe que se mudou faz algum tempo e que havíamos perdido o contato. 

A reação dela quando me viu foi de intensa felicidade e as perguntas que se seguiram foram relacionadas à minha mãe. 

- Como anda a Margarida? Como anda o casamento dela? Seus pais são o casal mais feliz que conheço. 

- Minha mãe está muito bem, mas já o casamento eu não posso dizer o mesmo – contei a ela. 

Ela me questionou o motivo disso e fui explicar a história das peripécias de meu pai. 

Papai sempre foi um safado, disso minha mãe sabia desde os tempos de namoro. Entrou nessa vida de casada assumindo os riscos da infidelidade dele. Ela acha isso normal, coisa de homem, o que para mim era um absurdo. Mas aconteceu algo que abalou completamente o casamento. 

Meu pai começou um relacionamento extraconjugal com minha tia, irmã de minha mãe. Quando ela soube ficou transtornada. Saber das raparigas de meu pai, como ela chamava, era uma coisa, mas a sua própria irmã?! Um descaramento por parte dele e por parte de minha tia. 

Dona Zelda, ao saber disso, ficou pasma. Também não acreditava no descaramento de ambos pecaminosos. Mas disse a ela: 

- Está surpresa com isso? Espere o resto da história. 

Minha tia foi além do relacionamento com meu pai. Os dois ao saírem juntos, eram acompanhados por um tio, irmão de meu pai. Nessas saídas, surgiu um envolvimento entre ambos. Então minha tia passou a se relacionar com meu tio. Então além do meu pai, minha tia Joana também mantinha um relacionamento com meu tio Carlos. 

Zelda ficou boquiaberta e sem reação. Mas ela não sabia o que ainda tinha por vir. Mal sabia ela que minha tia era casada, quase o mesmo período que minha mãe, e o marido dela negava-se a acreditar nas histórias que surgiam nas reuniões de família. Para mim aquilo era a comprovação do ditado que diz que o amor é cego. Mas se ele não acredita, não podíamos fazer nada. 

O ápice da história de minha tia Joana se dá quando ela também, para além da relação com meu pai e meu tio, iniciou um relacionamento homossexual com uma antiga colega de turma. Todos da família acreditavam que ela havia passado dos limites, porque além de casada tinha uma relação com dois irmãos, sendo um marido de sua irmã, e agora se relacionava com uma mulher. Zelda não esperou eu entrar em detalhes do relacionamento de minha tia com sua colega porque havia chegado sua vez de entrar no consultório, e falou:

- Ô fogo do diabo o dessa mulher!

Eu dei um sorriso de canto de boca e disse até logo. Depois disso passei a pensar em toda a situação, e disse mentalmente: queria eu ter um fogo do diabo desses.